Domingo

O mar está muito revoltado, diferente de mim que apenas estou cansado. De manhã choveu, de tarde trovejou, e agora que o dia acaba só o vento sobrou. Nem é frio, nem é forte, mas é muito persistente e como não quer a coisa fica mais exigente. Ele pára e recomeça, devagar que não tem pressa. Para completar o cenário as nuvens tapam o sol, mas bem devagarinho, pior que um caracol.
Estou cansado de tanto caminhar até os meus pés começaram a sangrar. Nada de grave, uma pequena ferida, calçando uma meia fica protegida. O brisa do mar, o cheiro do ar e outros pormenores que me fazem divagar. Penso no passado, nas antigas viagens, recalcadas nas memórias como boas miragens. Falo com muita gente, eu sou assim, por vezes de repente falam para mim. Quando isso acontece é uma alegria, pois dizem-me coisas que qualquer um sorriria. Procuro novamente por essa velha alegria, essa chama está presente não é apenas uma fantasia. Pode ter de ser trabalhada, até mesmo imaginada, vou tornar tudo fácil, nem que seja à pedrada.

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