Os jogos

Eu adoro jogar. Pode-se dizer que sou um viciado em jogos. Daqueles jogos que me levam para outros universos e fazem com que esqueça onde estou. Por vezes a necessidade é tanta que fica mais forte do que a necessidade de dormir. Não fico agarrado a um jogo… Não gosto de um gênero em particular… Gosto de jogar. O vício começou cedo na minha vida. Começou com aquelas máquinas com dois botões que andas de um lado para o outro a apanhar bolas ou qualquer coisa do tipo. Não aprendia nada… Sem aprender nada ia ficando entretido. Mais tarde a minha família ofereceu-me um computador (timex 2068 com cartridges, um processador de texto e um simulador de voo). E eu, como é óbvio, comprei mais jogos, em cassete, pirateados como bom português que sou. Foram horas a jogar, ao ponto de perder um ano na escola. Depois comecei a comprar livros para programar jogos. Comecei a aprender os códigos, tirei apontamentos, quis saber mais porque gostava de jogar. Aliado à minha timidez natural era o ideal para estar entretido, sozinho, durante horas. Mais ou menos como as crianças de hoje… Depois tive o meu acidente imobilizado em casa, sozinho (a namorada da altura não tinha tempo) pedi mais jogos aos meus pais. Pedi um puzzle, que acabei rápido (500 peças). Pedi mais. E recebi 2 de 1000 peças que, apesar de demorar mais tempo, em menos de uma semana estavam concluídos.#éaminhasomadetodososmedos que fez com que continuasse a jogar. Joguei tantas coisas que nem vale a pena enumerar. Mas o comum a todos eles era a capacidade que tinham de me afastar de tudo e de todos. Um jogador sozinho num universo só dele. Sem partilha de experiências. Sem conflito. Sem crescer. Apenas sentado com um comando na mão a controlar uma vida imaginária com super poderes. Depois e em simultâneo aparece o Farmville e o Sirveja. Um é um jogo social o outro é um jogador. Foi-me apresentado um novo mundo. De interação com outros jogadores. Uma nova forma de estar nos jogos. Mas continuava sentado no sofá/cadeira. Mais viciado que eu o Sirveja já sabia como a coisa funcionava e até alguns atalhos para a coisa funcionar melhor. Só que na vida, fora do virtual, não podemos usar atalhos. Não existe um Poke (código) para vidas infinitas… Não podemos recomeçar do início, do zero, sem feridas como se nada tivesse acontecido. Segue para o jogo (apesar de não ser bem aquele tipo de jogo que preciso e procuro sem saber). Testo um, experimento outro até chegar ao geocaching. Que não é bem um jogo mas que iria ajudar a combater #éaminhasomadetodososmedos tinha de sair de casa para poder jogar. Tinha de explorar. Partilhar. Mas rapidamente tudo era encontrado e concluído. Tinha de ir procurar mais longe, e, como era habitual em mim, arranjei a desculpa que não podia fazer sozinho, tinha de arrastar a família. Como seria de esperar, ninguém apreciava os momentos. Porque alguém sempre se sentiu forçado a jogar o jogo. Desisti do geocaching (por vezes tenho recaídas). Não desisti, substituí o geocaching. Substituí pelo ingress. Comecei a jogar graças ao suspeito do costume (Sirveja). Mas ao mesmo tempo também substituí o João por outra personagem. Saímos à noite… Eu e ele, fazíamos longas caminhadas, falávamos e íamos jogando. Misturando a vida com o jogo, o jogo com a vida. E o mais incrível é que mais pessoas foram aparecendo umas boas, outras menos boas, todas com as suas lutas, todas com as suas felicidades, todas unidas, sozinhas, em volta de um objetivo comum. Continuei a jogar, muitas das vezes sozinho. Ria, chorava, ficava satisfeito. Para mim tudo fazia sentido. Ganhei experiências, NOVOS AMIGOS (e mais ainda). O jogo trouxe tudo o que eu sempre mereci apenas porque EU optei a não ficar parado. Optei por não escutar os outros e ouvir-me mais. A ser mais egoísta. A fazer algo que me dava boas experiências. Parei porque alguém que eu AMO parou e tivemos muitas experiências juntos graças ao jogo (ou por causa do jogo estávamos predispostos a ter experimentar. Pensei mais em NÓS do que no EU. Acho que vou recomeçar a jogar. Afinal EU gosto do jogo#éaminhasomadetodososmedos -4







Comentários